21.6.09

E assim se passaram três anos...

Uma vez escrevi Nada mudou e hoje vejo que quase tudo mudou... pelo menos na minha vida, já que um descolamento da retina me surpreendeu, me tirando do combate e me deixando triste e bastante ansiosa. Ao mesmo tempo esta situação me trouxe outras lutas, outras necessidades e uma enorme vontade de seguir, uma fome de conhecer, de construir, desconstruindo o que já não cabia mais, o que de certa forma"cegava". A vista está embaçada, é verdade, mas vejo claramente que não posso deixar as idéias se embaçarem e tudo se perder. Hoje recomeço.

Receita de desamarrar os nós

desamarre os nós do sapato
depois desamarre os pés
desamarre os laços inúteis
os nós do que não serve mais
desamarre o barco do cais
os nós das janelas
e então deixe que o vento...

do livro Receitas de Olhar de Roseana Murray


18.8.06

Um olá para todos!
Saudades, saudades... Para vocês um poeminha saído do forno:

Em espera

A esperança
conduzindo à batalha:
VIVER!
A necessidade da vida
anulando o acaso
e acerteza da morte.
Flores,
mares,
luzes,
música,
poesia,
dança,
cores.
Imortais belezas.
Vitais
dentro da necessidade de vida.
Garra: um impulso,
as fugas no pensamento,
os danos e as desistências somadas.
Por hora apenas a certeza:
É preciso batalhar mais e mais.

26.6.06

Remexendo o baú

Eterna busca

Busco o mar e o sol
Vejo o céu, a tempestade
Busco o passado mas
vivo o presente na esperança do futuro
Busco o eterno, vivo o fugaz
Vivo a buscar...
A certeza imediata
Da eternidade das coisas fugidias.

(Escrito por Deanna em 1989)

20.6.06

Flores
Titãs
Composição: Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin / Paulo Miklos


Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

4.2.06

Estou sem micro e tiro uma casquinha do micro do Letra quando ele permite. Computadores são meio temperamentais, já repararam? Quando decidem não trabalhar, fecham a cara, quer dizer, a tela, recusam qualquer tentativa de aproximação e tudo aconteceu por causa da possível instalação de um programa que nem pirata era. Vai entender...
A copiadora que eu chamo de “Gordinha”( por causa da sua forma) é preguiçosa demais e consome a tinta tão rapidinho que não dá nem pra saída, mas me ajuda bastante e loooonge de mim reclamar. Um dia destes “Gordinha” quis, do nada, dar um piripaque durante o serviço e quase que eu tenho um. Ela cuspiu lá de dentro um pedacinho de plástico que até agora não lhe fez falta. Talvez sofra de indigestão com as folhas de má qualidade que lhe dou.

Férias terminadas. Que peninha! Aproveitei alguns dias para arrumar os armários. Acreditem: Eu ainda guardava meus cadernos do ginasial, as letras de música, os pensamentos, as quadrinhas trocadas entre colegas na década de 80. Encontrei também meus escritos da saída da adolescência e outras tantas quinquilharias. Quando faço este tipo de arrumação perco muito tempo olhando e recordando, e o que era para ser feito em poucos dias se arrastou por mais de uma semana, tamanha era a quantidade de objetos e papéis. Ainda bem que tenho “a minha consciência exterior”, que se chama Letra Morta, para me alertar, caso contrário, acabaria espalhando e entulhando o quarto inteiro e não arrumando nada. Lá no fundo do baú estavam meus LPs. Alguém lembra o que é isso? Não tenho mais vitrola e uma colega me sugeriu passá-los para CD, mas e a satisfação de ligar a vitrola e ver o disco rodando, onde é que fica? Aposto que um de vocês vai me sugerir um gramofone!

Uma tsunami bastante intrometida quis entrar por toda lei na nossa casa sem pedir licença. Chegou na soleira da porta. Nunca vi chuva igual. Deu medo. E o que era tsunami virou pororoca, pois as águas do nosso quintal se encontraram com as águas da rua. O motivo? Bem, eu não queria revelar, mas naquela quinta-feira, véspera da sexta fatídica, eu resolvi pôr um maiô e tomar sol lá no quintal. Letra me disse que o meu bronzeado foi de parar o trânsito, eu diria a cidade. O fato é que continuo gasparzinho, mas feliz porque estamos vivos.

13.1.06

Será que este blogue ainda existe?

Meus leitores queridos, se é que existe alguém aí. Acredito num ano novo feliz para todos nós, apesar de um começo triste por aqui. Há tempo ainda para desejar felicidades, pois estou só um pouquinho atrasada numa sexta-feira 13 de janeiro e eu não creio em superstições.
Escrevi um post em 17 de novembro, mas como todos podem ver, ele criou bolor e não chegou nem a ser publicado.

Os últimos meses de 2005 foram bastante trabalhosos e também estafantes para mim. Muita cobrança e pouco retorno. Já não agüentava mais ouvir falar em conceito, gráfico, estatística, sistema, conceito e etc. Engraçado é que a sala de aula não me causa chateação além, é claro, do suportável, o problema é sempre de ordem burocrática. Neste ano de 2006 procurarei não esquentar tanto a mufa, já que não vale mesmo a pena. Vou me adequar ao sistema embora não concorde com ele, pois assim é menos sofrido. Como diz uma colega distante: “Já que não se pode com eles, junte-se a eles”.

O começo deste ano foi marcado por dois falecimentos, um nascimento, uma amiga querida tentando se recuperar de uma cirurgia cheia de complicações e um tio no CTI há mais de 15 dias que hoje, felizmente, começou a apresentar melhoras. Fui também reprovada num concurso. Minha memória não anda lá muito boa, é a tal da PVC (a p* da velhice chegando). Se não lembro do almoço de ontem, vou lembrar de História da Língua Portuguesa aprendida em 1985 quando eu tinha apenas 19 aninhos? Prova longa, tempo curto, poucas horas de estudo, não podia mesmo ser diferente...


A gente vai levando
Mesmo com toda a fama, com toda a brahma
Com toda a cama, com toda a lama
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema, todo o problema
Todo o sistema, todo Ipanema
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Mesmo com o todavia, com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Mesmo com todo rock, com todo pop
Com todo estoque, com todo Ibope
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando esse toque
Mesmo com toda sanha, toda façanha
Toda picanha, toda campanha
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa manha
Mesmo com toda estima, com toda esgrima
Com todo clima, com tudo em cima
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa rima
Mesmo com toda cédula, com toda célula
Com toda súmula, com toda sílaba
A gente vai levando, a gente vai tocando, a gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula

(Chico Buarque)
Ps. Não abandonei o blogue em definitivo, apenas tenho demorado nas atualizações. Também não os tenho acessado, meus Leitores Escassos, mas o farei, certamente. Estou com saudades.

30.10.05

Help me! I need somebody

Alô, meu povo! Há alguém na linha? Cuidado com o trem! Nossa! Esta é muito velha. Prometo que ficarei melhor.
Alguém conhece a letra "Brasis" do Seu Jorge e Gabriel Moura? Na verdade, a letra eu já tenho mas gostaria de ouvir a música. Pela minha pesquisa no Google, o disco está sendo vendido em vários sites estrangeiros, mas por aqui nada...Pelo menos que eu tenha encontrado. Desenvolvi um trabalho com a turma sobre este texto sem saber que era uma letra de música e, como apresentaremos o trabalho numa feira, resolvi aperfeiçoar o negócio, ou como diz o amigo Mohandas: "Dar um grau."

Brasis

(Seu Jorge-Gabriel Moura)

Tem um Brasil que é próspero
Outro não muda
Um Brasil que investe
E outro que suga
Um de sunga, outro
de gravata
Tem um que faz amor
E tem outro que mata
Brasil do ouro
Brasil da prata
Brasil do balacochê da mulata
Tem um Brasil que é lindo
Tem um outro que fede
O Brasil que dá é
igualzinho ao que pede
Pede paz, saúde, trabalho,
dinheiro
Pede pelas crianças
do Brasil inteiro
Tem um Brasil que soca
Outro que apanha
Um Brasil que saca
Outro que chuta
Perde e ganha
Sobe e desce
Vai à luta, bate bola,
porém não vai à escola
Brasil de cobre
Brasil de lata
É negro, é branco
É nissei
É verde e índio peladão
É mameluco e cafuzo e confusão
Ó Pindorama, eu quero
o seu Porto Seguro
Suas palmeiras, suas feiras,
seu café
Suas riquezas, praias, cachoeiras
Quero ver o seu povo
de cabeça em pé


17.9.05

Buuuuuuuuuuuuuu! Aqui está Gasparzinho! Gente, esta brincadeirinha de fantasma está ficando séria demais! Não é que tenho recebido constantemente mala direta de um cemitério parque famoso? Letrinha quer comprar um túmulo. Sei não, mas não tô gostando nadinha das idéias do moço...

Tenho andado numa tristeeeeeza ultimamente... Quase desisti do bloguinho! Ando meio que sem idéias. Meu leitor está certo.Mas sou assim mesmo. Às vezes estou animadíssima com algo e daqui a pouco me desanimo. Letra diz que quando o dia está cinzento eu fico triste. Será verdade? Pode o tempo interferir no nosso humor?

Falemos de coisas alegres: Nosso Ciep fez 20 anos na semana passada. Imaginem a bagunça que um bando de mais de 40 professoras pode fazer em um restaurante! Cantamos o hino da independência, Para não dizer que não falei das flores, Andanças.... As “Inglesas” (leia-se: as professoras de Inglês) resolveram matar as saudades “encenando” uma peça. Que peças! A diretora chefe tem um hino: “Chiquita Bacana lá da Martinica se veste com uma casca de banana nanica...” e por aí vai. Parece que a música tem a ver com um discurso interrompido que fez no passado. O que é que o chope não faz com a cabeça da galera! Nossa antiga diretora fez uma declaração hilária: Hoje foram abertas as portas do museu. Mas quando me lembrei que tenho 17 anos nesta escola, fiquei bem quietinha... só apreciando o festejo e dando minha contribuição sóbria sempre que necessária. Tentei sair sem fazer alarde para pegar uma carona e não adiantou, pois o povo não perdoa: “A noite é uma criança!” “Estão saindo pra não pagar a conta!!"

Meu sobrinho fofíssimo fez quatro anos. Eu não sei se já falei para vocês que ele nasceu com síndrome de down. Fiquei muito feliz porque já está bem mais calmo e concentrado, conseguindo curtir sua festa, que por sinal estava muito boa. Ele parece gostar de música, pois não saía de perto da caixa de som e também não parava de pedir que cantássemos parabéns pra você. O trabalho no Pólo de bebê está ajudando neste avanço e também todo o acompanhamento que tem tido. Está uma gracinha!

Agora é pra valer: Vou começar meus estudos para retornar à universidade. O estímulo aconteceu ontem de uma forma bastante inusitada através de uma entrevista que dei. Calma, gente! Não era para a Globo! Vocês lembram daquele curso de 2004 que fiz pela prefeitura? Bem, a professora está preparando sua tese de mestrado e me pediu um depoimento sobre meu trabalho com a EJA. Fiquei um pouco surpresa com o convite e meio tímida, pois gosto mais de escrever do que de falar. Espero que minhas palavras tenham contribuído para alguma coisa...De duas uma: Ou ela se interessou de fato pelo que eu falava ou estava apenas esperando que em algum momento eu falasse algo de fato interessante. Começamos às três e meia da tarde e terminamos quase às seis. Após a entrevista, conversamos um pouquinho e falei sobre uma idéia de trabalho que tenho para aproximar as duas áreas de que gosto, ela achou bastante viável e me incentivou a pôr em prática, só não sei ainda como começar. Orientou- me também a registrar a minha experiência destes 17 anos trabalhando com jovens e adultos. O engraçado nisto tudo é que no próprio ambiente de trabalho nunca recebi tal orientação ou incentivo de superiores...

Falemos agora de coisas irritantes:
O que você faria se entrasse numa reunião com dúvidas a serem tiradas e saísse de lá com dúvidas multiplicadas?

O que você diria para aqueles que insistem em achar e ironizar que você está com grana e que por isso não trabalha nos três turnos sem saber de fato da sua realidade?

E se você se esquecesse, todos os dias em que vai a pé para o trabalho, de um tronco largo de árvore cortado e sem copa e sempre se assustasse com ele achando que é um bandido na noite?

Se você precisasse cortar ou diminuir o consumo de açúcar no seu adorado cafezinho com leite e em outras bebidas por ordem médica e não gostasse de adoçante?

Se uma colega de trabalho invocasse com a cor de seus cabelos querendo que você vire loura de todo jeito e faça escova progressiva, mas você não está a fim e já disse que não, não e não? O que diria?

E para um aluno que não quer nada com a hora do Brasil, chega atrasado para a prova, não sabe *#@*#@ nenhuma e ainda tem a cara de pau de pedir uma aula antes da prova? Para este a resposta foi fácil...

Agora virei “Maria” em definitivo, pois a ajuda que tinha só estava me atrapalhando e já existe uma pilha de roupas para passar começando a crescer. É engraçado como se reproduzem com rapidez. O cesto já começou a pedir: Máquina! Sabão! Ááááágua! Também preciso fazer uma faxina pesada e estou me preparando psicologicamente. Às vezes eu mesma me surpreendo em como sou tão atolada. E ainda acham que não faço nada, arrrrgh!

16.8.05

Estou passando só para dar sinal de vida, meus Leitores Escassos. Daqui a pouco mudarei o blog para A blogueira fantasma.

3.8.05

Primeiro round...

O jogo já chegou a 0 X 0

2.8.05

Detalhes irrelevantes

  • Delúbio tem olhos azuis.
  • Marcos Valério parece um dos agentes do Casseta. Não lembro se é o agente Tamos ou o agente Somos.
  • Ele também lembra o Kojak
  • Roberto Jefferson parece um rato que ruge. São as aulas de canto?
  • Tenho medo quando ele arregala os olhos.
  • José Dirceu talvez precise de peruca.
  • Os cabelos do presidente da CPI estão sempre impecáveis e nunca se movem. Será o laquê?
  • Heloísa Helena tá cada vez mais famosa e sempre de roupa branca. Vai ver que ela é a Mãe Heleninha e ninguém sabe.
  • A secretária bonitinha irá para a Globo? Para a Malhação?
  • Será que aquele velhinho (do qual não lembro o nome) vai ler todos aqueles documentos incriminatórios?Bem que podia me contratar, mas eu também quero o meu quinhão, não é?

É hoje!

A jiripoca vai piar ou a cobra vai fumar? Quem é a cobra? Quem é a jiripoca? Dirceu? Roberto Jefferson? Tá chegando a hora...

22.7.05

Sinto em decepcioná-los, meus Leitores Escassos, mas não viajei na máquina do tempo. As novidades? Bem, estou começando o meu, o nosso recesso escolar. Queria viajar, mas na vida há prioridades: um sofá novo para a sala (pois o nosso já está um cacareco e a buzanfa fica amarrotada), quem sabe um armário para guardar outros livros que estão espalhados, arrumar o guarda-roupa, pois as gavetas estão prestes a explodir (e não são com roupas novas), arrumar também os armários do escritório, missão que venho adiando há séculos... Mas só de pensar me dá uma lombeira... af! Por isso deixei para amanhã. Hoje vi tv, li meus emails ( a lista era grande) e, é claro, respondi aos coments. Tenho livros para devolver e quero acabar de lê-los:

· Ensinar Aprendendo do Içami Tiba (Vou ver se aprendo alguma coisa he he)

· Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?- Allan e Bárbara Pease (Título bastante sugestivo, não? E o livro é muito interessante.)

· Juízo Final - Sidney Sheldon ( Peguei emprestado com a sogra, que é fã do escritor, e até hoje não li.)

· A revoada - Gabriel García Márquez (Aquele falecido foi me deixando curiosa, os personagens em GGM, mesmo mortos guardam presença na história. Neste livro o povo de Macondo começa a surgir.)

· Breve história do mundo - Carlos Nejar- Este eu comprei de uma forma inusitada. Estava nas Lojas Americanas quando avistei alguns livros em uma banca bastante revirados e achei curioso, pois a loja era pouco espaçosa e havia uma mistura de perfumaria, doces, roupas e etc. Primeiro olhei os preços: R$ 9,99 (não me lembro bem) e a seguir comecei a folheá-los.
Eu ainda não tinha tido contato com os poemas deste autor e estou gostando muito. Vou postar um deles e depois trarei outros se gostarem.

Também quero dar um upgrade no meu Q.I.: Jogar Need for Speed Hot Pursuit, namorar, ir ao cinema ver filmes de mulherzinha, cuidar das plantinhas que estão abandonadas e uma das minhas atividades favoritas: dor-mir. Por falar em dormir, eu adorava um comercial da Sonoleve em que aparecia um bonequinho ( meu alter ego) que dizia: “...É deitar, rolar e dormiiiir.”


Nas altas torres

Nas altas torres do corpo
todas as horas cantavam.
Eu quis ficar mais um pouco
como se um campo de potros
espantasse a madrugada.


Eu quis ficar mais um pouco
e o teu corpo e o meu tocavam
inquietudes, caminhos,
noites, números, datas.

Nas altas torres do corpo
eu quis ficar mais um pouco
e o silêncio não deixava.
Conjugamos mãos e peitos;
no mesmo leito, trançados;
eis que surgiu outro peito,
o do tempo atravessado.

Eu quis ficar mais um pouco
e o tempo se iniciava
na liturgia do vento,
lenta e veloz como enxada.
Era a semente batendo,
era a estrela debulhada.

Nas altas torres do corpo,
quis ficar. Amanhecia.
Todos os pombos voavam
das altas torres do corpo.
As horas resplandeciam.

(Casa dos arreios)

Escrito por Carlos Nejar



27.6.05

Olá!

Por favor, é imprescindível: Onde posso comprar uma máquina do tempo, que até mesmo pare o tempo e que venha acoplada com uma maquininha que faça aluno aprender mais depressa e com motivação:)?

18.6.05

Um novo dia dos namorados

Estão vendo o meu sorriso de orelha à orelha? O motivo? Meu presente do dia dos namorados chegou hoje pelo correio: um discman estalando de novinho. É, meus leitores amados, agora a tarefa ingrata de corrigir provas e testes ficou mais light. Talvez eu enxergue os erros de outra forma, não?

14.6.05

Este resfriado parece não querer me largar, veio me dar os parabéns pelo meu aniversário no domingo e ficou colado em mim. Ô encosto! Para dar aula é um horror, pois não falo direito e ninguém me entende muito bem. Nem mesmo eu; ai ai.

É meu povo, completei 39 no domingo e é engraçado que, quando a gente é mais nova não imagina a chegada desta idade. Acho que estou com a síndrome de Peter Pan: não me sinto preparada para entrar nos “enta” e isto me angustia. Começo a imaginar o que ainda não fiz, o que ainda não vivi.

A terapeuta perguntou: “Você fez planos, mas o que você fez para colocá-los em prática?”. Resposta: nada! Ela então me disse que rever o passado não é ruim e planejar é importante. Estabelecer datas, pensar no que se deseja e descobrir como chegar lá. Mas tem que ser agora! Na opinião dela, o futuro não existe. Mas toda essa determinação me parece tão utópica às vezes...Ela me considera segura, mas eu não concordo. Não decidi se quero ou não ter um filho( e a idade tá passando), se quero arrumar outro emprego, se quero tentar o mestrado, se quero mudar de cidade, se quero fazer outra faculdade, se... se...

Neste aniversário fugi do bolo em casa e resolvi assistir, com as “tias da van” e meu fofucho, a um espetáculo de balé: A Bela Adormecida. Que lindo! Valeu a pena esperar quase duas horas na fila e duas horas dentro do teatro. Depois fui almoçar com ele. À noite fomos à missa e senti algo especial. Na semana anterior ao meu aniversário pensei muito nos meus pais (dizem que o tempo abranda a saudade e comigo está sendo o contrário). Cheguei a dizer para minha mãe em pensamento: Gostaria tanto que a senhora e o papai estivessem aqui comigo no meu aniversário. E não é que durante a ação de graças senti como se os dois estivessem bem pertinho?

Sinto muita falta dos meus irmãos. A gente não consegue se ver embora more na mesma cidade( nosso último encontro foi no Natal, lembram?). Cada um tem seus compromissos, sua família, seus problemas etc. Sempre penso que telefonar não é a mesma coisa porque eu gosto de estar perto das pessoas, de senti-las, de conversar com elas, ver a expressão em seus rostos. Ao telefone, sempre acho que estou incomodando, tomando o tempo, por isso não tenho mais ligado com freqüência.

Não fugi totalmente das velinhas, pois ontem os alunos da turma me prepararam uma enorme surpresa. Fizeram uma festa com bolas, bolo, docinhos e tudo a que uma aniversariante tem direito. Os danadinhos já estavam se organizando há três semanas e esconderam tudo direitinho. Fiquei muito feliz! Eu a-do-ro festas de aniversário. De casamento também, bodas, festa junina, baile... Aliás, adoro qualquer festa (desde que eu não seja a organizadora, é claro).

5.6.05

Voltei!
Não sei se cheguei a falar com vocês sobre um curso que fiz no comecinho do ano: Laboratório de Redação Criativa, um curso muito interessante e que vale a pena. Confesso que estava um pouco insegura quando me inscrevi, pois achava que só encontraria escritores “feras” e quando cheguei lá encontrei um grupo de pessoas com as mesmas inseguranças e dúvidas que eu tenho. O meu Letrinha Morta era meu colega de classe, aliás, foi ele que me fez o convite para o curso. Hoje, folheando meu caderno tive saudade e perdendo o medo resolvi dividir com vocês algumas das atividades.
Já postei A ordem natural anteriormente, hoje teremos Dois Mundos e um Muro. Este exercício surgiu através da proposta de observarmos a parede da sala de aula. Pensamos em um muro no mundo físico, e em outros muros em um plano abstrato, de pensamentos e símbolos. Há então algo como um muro que vem ao meu encontro e que fala. O objetivo do exercício é saber ouvir o que ele está dizendo. Existe mais do que só a pilha de tijolos, cimento e outros entulhos, algo a ser revelado.
Gente, foi brabo! Tive muita dificuldade, mas no final saiu isto:

Dois Mundos e um Muro

Há em cada um de nós uma sala silenciosa com luzes que às vezes se acendem para olhos nem sempre abertos. Há pensamentos que me carregam do silêncio para o lado de lá do muro. Há dois mundos (se é que são dois) e um muro imaginário. O lado de cá está sob constante vigilância e é bastante formal. O de lá é só encantamento. Este muro de tijolos envelhecido pelo tempo sempre esteve ali e era olhado, mas nunca o enxerguei. No ato incomum de observar suas formas e cores com total desprendimento, colei-me a ele transpondo-o.
Avistei um alegre porquinho marrom e um hipopótamo zangado, irrequietos, apressados em aproveitar a vida, e um gatinho branco dorminhoco que não aceitava o desafio, permanecendo alheio à balbúrdia, recolhido no seu canto. Uns monstros assustadores de mentirinha, feitos de areia, espalhados pelo espaço, corriam entre as pedrinhas e a terra. Tudo muito confuso, mas que importa se o que vejo é liberdade? Aqueles bichinhos têm vontade própria e gostam de uma bela bagunça. Aqui não há relógios e mesmo assim o tempo passou. Em meio à terra e tijolos, tudo foi se misturando, ficando turvo e os olhos que vagavam retomaram, pouco a pouco, seu lugar do lado certo do muro. Lá no lado incerto, nossos animaizinhos permaneceram aprisionados. Seu destino não sabemos.
A sala silenciosa se fechou. Amanhã outras luzes se acenderão. Outras brincadeiras, outros animaizinhos, outros muros...

(Escrito por Deanna)

10.5.05

Cantigas de roda revisitadas (e analisadas pela ótica da Deanna)



"Aaatirei o pau no ga-to-to
Mas o ga-to-to
Não mor-reu-reu-reu
Dona Chi-ca-ca
Admirou-se-se
Do ber-ro do ber-ro
Que o gato deu Miau!"

(Atirem o pau no sujeito malvado e também na dona Chica que é sem coração e não fez nada para salvar o gato.Teria dona Chica assistido ao ato infame? Aliás, quem atirou o pau no gato ficou medroso e teve estranha crise de gagueira com medo, é claro, da vingança do bichano, pois certamente pensara que o pobre morreria. Nenhuma organização para defesa dos animais fez alguma coisa com o(a) meliante e até hoje somos torturados com esta musiquinha.)

***

"Terezinha de Jesus
De uma queda foi ao chão
( Troca o óculos ou aprenda equitação, Terezinha!)
Acudiram três cavaleiros
(Havia cavalheirismo naquela época)
Todos três chapéu na mão
(Pediriam esmola disfarçadamente? Sei não...Vai ver que são culpados pela queda da Terezinha pois talvez ganhassem dinheiro com isso e hoje ela poderia estar atuando com os peões da"imperdível" novela América).
O primeiro foi seu pai
O segundo, seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão."
(Deu a mão porque o pai e o irmão estavam perto, do contrário...Conclusão final: Terezinha enxergava muuuuuito bem. Ela caiu de propósito pois queria se libertar do jugo daqueles homens opressores.)

***

"Ciranda cirandinha
Vamos juntos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar
(Alguém me perguntou se eu estou disposta a dar estas voltas loucas? E se eu sofrer de labirintite?)
O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou."
(Querida, cavalo dado não se olha os dentes; você acha por acaso que o anel se quebrou só porque era de vidro? O amor não era pouco, sua ambição é que é muita.Na verdade, você nem ligou pois está cirandando até hoje.)

***

"A linda rosa ju-ve-nil, ju-ve-nil, ju-ve-nil...
Vivia alegre em seu lar, em seu lar, em seu lar...
( Em primeiro lugar: Por que juvenil? Não poderia ser uma rosa adulta? que preconceito é esse?Essa rosa juvenil vivia alegre em seu lar porque naturalmente tinha empregada doméstica que fazia tudo para ela, mas não impediu a chegada da bruxa má.)
Um dia veio a bruxa má, muito má, muito má,
Um dia veio a bruxa má, muuuuuito máá
Que adormeceu a rosa assim,bem assim, bem assim
Que adormeceu a rosa assim, beem assim.
(Percebe-se que a rosa é linda mas pega no sono com muita facilidade, além de tudo nem travou um diálogo com a tal bruxa. Rosa frouxa!)
O tempo passou a correr, a correr, a correr
O tempo passou a correr, a correeeer
(A moleza da rosa se reflete na cantiga pois quase todos os versos se repetem de modo enfadonho)
Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei
Um dia veio um belo rei, beelo reeeei
(Não é curioso que veio um rei e não um príncipe? Já naquela época temia-se um príncipe
parecido com o Charles)
Que despertou a rosa assim, bem assim, bem assim
Que despertou a rosa assim, beeem assim
Batamos palma para o rei, para o rei, para o rei
Batamos palma para o rei, para o reeeei."
(De boba não tem nada esta rosa juvenil, pois com sua juventude terminou com o belo rei que já tinha uma vida estabilizada e sendo assim continuará levando a boa vida de antes e continuará cada vez mais linda.Mas uma pergunta que não quer calar: Como este belo rei ficou sabendo da linda rosa juvenil já que não havia internet?Acho que esta menina fazia tipo, pois na verdade ela era uma pestinha e a família estava querendo se livrar, foi então que contratou a bruxa má, muito má. Pobre belo rei! Não teria sido melhor se ele se informasse antes de ter feito a boa ação? Ou pode ser que ele gostasse de namorar mulheres mais jovens, ou também que não fosse tão belo assim, não é mesmo?)

3.5.05

Um sonho pela manhã

Fui ontem com meu Letrinha Morta( de sono) e "reclamão" assistir a uma ópera pela primeira vez. Muito boa esta iniciativa da prefeitura de patrocinar estes eventos a um real. A ópera era Macbeth de Verdi com a Orquestra Sinfônica, Coro e Ballet do Theatro Municipal. Acordamos às 5h50min, tomamos o café e lá fomos nós para a nossa aventura... Os ingressos só seriam vendidos às nove mas a fila já estava formada. O espetáculo começaria às onze e pode-se dizer que foi realmente um maravilhoso espetáculo.Acabou às 14h20min. Acabou? Está ainda vivo ecoando. Como o ser humano consegue criar algo tão belo? Uma beleza que nos desperta sentimentos tão variados e tão profundos? Uma beleza que chega a parecer sonho.

29.4.05

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por levarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças evitando desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalhado.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saírem como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende de mim.

Charles Chaplin